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1976.9

Eduardo Araújo 7o. LP

Djavan 1o. LP

Bendegó 2o. LP 

 

Em 28 de Outubro de 1976,

Eduardo Araújo, em parceria com sua esposa Silvinha (Silvia Maria Vieira Peixoto Araújo), entra no Estúdio do Templo (em São Paulo) onde inicia a gravação de Sou Filho desse Chão, seu 7o. LP (2o. em parceria com Silvinha - o 1o. fora Pelos Caminhos do Rock, em 1975).

O disco, que conta com o auxílio luxuoso de Dominguinhos na sanfona, trás um repertório que mistura Hard Rock, Soul, Funk, Progressivo, Psicodelia e ritmos brasileiros (candomblé e baião principalmente).

O lançamento (pela gravadora Beverly) seria em novembro de 1976, sendo indicado pela crítica especializada como um dos melhores discos do ano.

                                                                
                           
                                      
                               
                                 
                                                                 
                                                                      
                                                                                                      Ouça o LP no link ao lado: Sou Filho desse Chão

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Em 29 de Outubro de 1976, 

Djavan, sob contrato da Som Livre (gravadora da Rede Globo), entra no Estúdio Level (RJ) antigas instalações da EMI-Odeon) para iniciar as gravações de seu 1o. LP, A Voz, O Violão, A Música de Djavan.

Nascido em 27 de janeiro de 1949, em família pobre, Djavan aprende violão sozinho nas cifras de revistas do jornaleiro.  Aos 18, já anima bailes da cidade com o conjunto Luz, Som, Dimensão (LSD). 

Em 1972, com 23 anos, decide tentar a sorte no Rio de Janeiro. Canta nas boates Number One (Ipanema) e a 706 (Leblon). 

Com a ajuda do radialista e conterrâneo Edson Mauro logo é apresentado ao produtor da gravadora Som Livre e levado para gravar trilhas sonoras de novelas da TV Globo (como Alegre Menina, de Dori Caymmi, em Gabriela, de 1975). 

                                                              Ouça no link ao lado: Alegre Menina   

Desde sua chegada ao Rio, em três anos Djavan compôs mais de 60 músicas. 

Na noite de 4 de fevereiro de 1975, no Teatro Municipal de São Paulo, a Rede Globo promovia a final do Abertura: Festival da Nova Música Brasileira, que se havia iniciado em 07 de janeiro.                                                               O 2o. lugar seria Fato Consumado, de Djavan, sendo superado por Como um Ladrão, de Carlinhos Vergueiro, mas vencendo o favoritismo de Ébano (Luís Melodia) e o experimentalismo de Vou Danado pra Catende (Alceu Valença e Ascenso Ferreira). 

                                                                 
                                                                 
                                                                
                                Clique no link ao lado e assista ao lado algumas cenas do Festival Abertura

Ouça abaixo as músicas do LP das Finalistas do Festival Abertura
 
A1 - Tamanco  malandrinho (Tom e Dito)  A2 - Como um ladrão (Carlinhos Vergueiro) /                    A3 - Vou danado prá Catende (Alceu Valença) /  A4 - Antes que eu volte a ser nada (Leci Brandão) / A5 - Vaila (Ednardo) / A6 - Bem te viu (Jorge Mautner) /  B1 - Ébano (Luiz Melodia) / B2 - Ficaram nús (Burnier & Cartier) /  B3 - Fato consumado (Djavan) / B4 - Muito tudo (Walter Franco) / B5 - O Tempo (Reginaldo Bessa) / B6 - Princípio do prazer (Jards Macalé) 

Para uma crítica da época, não era exatamente o novo que teria prevalecido, e que a segunda colocação teria sido conquistada por um “samba inexpressivo”, conforme matéria publicada na Revista Pop em março de 1976.

                                                                 

Aproveitando o grande sucesso de algumas músicas que não foram classificadas para a grande final do Festival, a gravadora RCA lançaria na sequência um LP com as Semi Finalistas do Festival Abertura.

                                                               
                                    Ouça abaixo as músicas do LP com as Semi Finalistas do Festival Abertura
A1 - Farofa-fá (Mauro Celso) / A2 - Tele Rodo-Vida (Milton Carlos) / A3 - Massa falida (César Costa Filho) / A4 - Cirandeira (Ana Maria Brandão) / A5 - Drácula (Paulinho da Costa) / A6 - Rede verde (Elson) / B1 -  Mudanças  (Gil Gerson) / B2 - Súdito do rei (Flávio e Lúcia) / B3 - Que venga el tango (Silvio Barbosa) / B4 - Carcaça (Raimundo Marques Costa) / B5 - Dança espanhola sobre a cabeça (Zé Márcio) / B6 - Balbina (Caetano Zamma) / B7 - Teofagia (Marco Antonio)    
                  

A dificuldade de compreensão, que não impediria ampla aceitação pelo público, marcaria um determinado aspecto da audição da obra de Djavan desde o início da sua carreira. Extensamente relatada por ele em entrevistas, essa dificuldade teria surgido ainda entre os seus primeiros parceiros musicais em Alagoas sempre que mostrava composições próprias. 

Com o segundo lugar conseguido no festival da Globo com a canção Fato Consumado, Djavan consegue gravar seu 1o. disco, um compacto com esta música.

                                                                  Ouça ao lado: Fato Consumado

Logo em seguida ele gravaria seu 1o. LP,  A Voz, o Violão, a Música de Djavan (1976). Produzido pelo excepcional Aloysio de Oliveira, o mesmo de Chega de Saudade (João Gilberto, 1958), tratava-se aparentemente de mais um disco de samba na “linha evolutiva” dos “homens de cor” em busca de integração e ascensão social (Fernandes, 1964). Ocorre que Djavan não era carioca. E, a despeito de ser um negro nordestino com vínculo às suas tradições culturais, sublinhava também apetências pela música americana, em especial o jazz.

 Um trabalho mais voltado ao samba e ainda sem a verve compositora a flor da pele que o cantor desenvolveria depois. Mesmo assim, neste trabalho, ainda podem ser encontradas pérolas, como a já citada Fato Consumado, e o samba melancólico com batida bossa Flor de Lis, que até hoje é ouvida em barzinhos de todo o Brasil. Uma estréia tímida, mas com o pé direito.

                                                                
                                                                  
                                   Ouça o LP completo no link ao lado: A Voz, O Violão, A Música de Djavan

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Em 30 de Outubro de 1976, 

Grupo Bendegó,  (nome que se refere ao meteorito Bendegóque caira no sertão baiano em 1784 - a palavra bendegó signifca, em tupi-guarani,  vindo do céu ) grupo que funde rock progressivo, psicodelismo a ritmos nordestinos; formado na Bahia no início dos anos 1970; entra nos estúdios da Continental, gravadora paulista que recém os conratara, e iniciam as gravações de seu 2o. LP, Onde o olhar não mira.

É deste disco que participam Hely Rodrigues  e Vermelho (José Geraldo de Castro Moreira), que entraram na banda em 1975, respectivamente tecladista e baterista, que em 1979 sairiam para formar o  14 Bis  com Sérgio Magrão (ex-Terço) e os irmãos Flávio (ex-Terço) e Claudio Venturini.

O principal compositor deste álbum (e de quase todos os trabalhos do Bendegó até 1980), embora não participe da formação oficial do grupo, é Patinhas (João Santana) que viria a se tornar um dos maiores marketeiros políticos brasileiros e se enredaria em crimes denunciados pela Operação Lava Jato.

                                                                
                                                                        
                                                                   
                                                                    
                                                                                  Ouça o LP no link ao lado: Onde o olhar não mira

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