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1976.2

João Bosco 3o. LP - Galos de briga

O Terço 4o. LP - Casa Encantada

                       Rita Lee & Tutti-Frutti 3o. LP - Entradas e Bandeiras / Gravidez / Prisão /                                           compacto Arrombou a festa

 

Em 22 de Março de 1976, 

João Bosco entra nos estúdios da RCA carioca, iniciando as gravações de seu 3o. LP, Galos de briga.

As gravações se estenderiam entre março e maio de 1976.

O disco, que, ao ser lançado em junho de 1976 consolidaria definitivamente a dupla João Bosco-Aldir Blanc entre os mais importantes compositores da história da música brasileira, trás alguns dos maiores clássicos deles, ícones da MPB dos anos 70, como Incompatibilidade de gênios, Transversal do tempo e O Rancho da goiabada.

                                                Ouça o LP completo no link ao lado: Galos de briga

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Em 05 de Abril de 1976, 

O Terço entra no Estúdio Vice Versa em São Paulo, onde inicia as gravações (durariam até agosto) de seu 4o. LP, Casa Encantada, o 2o. e último da formação clássica e de maior sucesso do grupo, com Sergio Hinds, Flávio Venturini, Sergio Magrão e Luis Moreno.

Flavio sairia do grupo em maio de 1977 e posteriormente, no final de 1979, juntamente com Sérgio Magrão e mais Hely, Vermelho (vindos do Bendegó) e Claudio Venturini (irmão de Flávio, que até então tocava com Lô Borges), viria a fundar o grupo 14 Bis.

O título do álbum, Casa Encantada, refere-se à casa do sítio em que o grupo morava junto, no km 48 da rodovia BR 116, Itapecerica da Serra, cidade próxima à capital paulista.

O LP segue o caminho do disco anterior (Criaturas da Noite) de busca das raízes, trazendo canções com influências mineiras de Venturini. A diversidade de estilos é sacramentada, à partir dos temas de Luis Moreno e Sergio Hinds (Solaris e Guitarras, respectivamente). Cresce a forma do rock progressivo, que é o mix de todos os sons. Os vocais são aprimorados e o instrumental acrescenta arranjos mais elaborados e agrega uma percussão.

O disco, lançado em julho de 1976, pela gravadora Copacabana (selo Beverly), embora não alcance o estrondoso sucesso do álbum anterior, trás alguns dos grandes clássicos do Terço e do rock brazuca dos anos 70,  como a faixa-título, Flor de la noche, Solaris, O vôo da Fênix e Pássaro (de Sá e Guarabyra).

                                          Ouça o LP completo no link ao lado: Casa Encantada

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Em 12 de Abril de 1976,

Rita Lee  e o  Tutti-Frutti entram no Estúdio Eldorado em São Paulo, onde iniciam as gravações do 3o. LP do grupo, Entradas e Bandeiras.

Em maio, Rita chegou a ser internada com stress. Uma semana depois o grupo participaria do Festival de Saquarema, no Rio de Janeiro, junto com Raul Seixas, Made in Brazil, Bixo da Seda, Flavio y Spiritu Santo e a estreante Ângela Ro-Rô.

O final do mês é dedicado às últimas gravações. Rita continua estafada e o disco é mixado sem a sua presença, resultando em alguns atritos, principalmente com o guitarrista Luis Sérgio Carlini, cujas guitarras sobrepõem-se um pouco à voz de Rita.

O álbum, que seria lançado em julho, na esteira do mega-sucesso do disco anterior, Fruto Proibido, lançado um ano antes, em junho de 1975; teria uma boa vendagem embora não chegasse a ter um sucesso tão grande quanto o anterior.

Mesmo assim, o LP trás vários grandes clássicos do grupo e da história do rock brazuca dos anos 70,  tais como Superestafa, Bruxa amarela (parceria de Rita com Raul Seixas), Coisas da vida, Corista de rock, e Com a boca no mundo, além da própria faixa-título.

O novo álbum é produzido com uma nova formação do Tutti-Frutti: os fundadores Luis Sérgio Carlini (guitarras e vocais) e Lee Marcucci (baixo), e trazendo agora Sérgio Della Monica (bateria), Paulo Maurício (teclados) e os gêmeos Rubens Nardo e Gilberto Nardo (vocais e percussão).

Embora Entradas e Bandeiras atualmente tenha um status cult , as circunstâncias da época revelam que o disco não foi tranquilo de se produzir e que descambaria para resultados dramáticos, em especial para Rita. 

Tanto é assim, que em uma uma entrevista concecida para a jornalista Ana Maria Bahiana, cerca de um ano após o lançamento , Rita Lee resumiria: "Eu detesto esse disco, nem ouço". Isso porque ela acabou adoecendo por conta do ritmo fortíssimo dos trabalhos de produção e o disco foi finalizado sem sua participação. 


                     Ouça o LP completo no link ao lado: Entradas e Bandeiras

Mas, as principais complicações viriam mesmo durante, e logo após o lançamento do álbum:

 - em junho inicia a gravidez de seu primeiro filho, Roberto Lee de Carvalho (Beto Lee), fruto de seu então recente relacionamento com o guitarrista Roberto de Carvalho, até há pouco músico do grupo de Ney Matogrosso. Em agosto Nelson Motta noticiaria a gravidez em primeiro mão, em sua coluna do jornal O Globo.

Beto Lee nasceria em 21 de março de 1977.

- Às 7 hrs. da manhã de 24 de Agosto de 1976, Rita seria presa na casa de seus pais, onde passaria a gravidez. Acusação: porte de maconha. Segundo a polícia foram encontrados na casa "cigarros semi-consumidos de maconha, estojos com restos de tóxicos e um aparelho oriental, conhecido como narguilé, com restos de entorpecente".

 Juntamente com Rita foram presos todos os membros do Tutti-Frutti, além de sua empresária Monica Lisboa e da iluminadora Judy Spencer, essas acusadas de posse de mescalina, haxixe, LSD e maconha.

Embora tenha afirmado não ser viciada  e que não eram seus (e sim de amigos que a visitavam) os cigarros e as sementes da erva encontrados pela polícia em sua casa, Rita passaria 15 dias numa cela da penitenciária feminina e apenas um mês depois, em setembro, seria condenada a um ano de reclusão e multa de 50 salários mínimos. A reclusão em breve seria transformada para prisão domiciliar e diminuída para seis meses.

Ainda assim a prisão domiciliar seria tão rigorosa que em março do ano seguinte, para dar à luz a seu filho, Rita necessitaria de uma licença especial da promotoria para sair de casa e deslocar-se até a maternidade do Hospital Albert Einstein, onde nasceria o bebê.

Leia AQUI algumas notícias de jornais e revistas da época, que noticiaram com estardalhaço a prisão de Rita.

Abaixo, recortes de jornais da época:

Abalada e sem dinheiro, Rita conseguiu do juiz uma autorização especial para realizar um show, com fins de arrecadar dinheiro para o parto. Por pura gozação e provocação, Rita fez o show apresentando-se com uniforme de presidiária.

Na 2a. quinzena de outubro Rita compôs com Paulo Coelho a polêmica Arrombou a Festa, música que criticava o cenário da MPB da época. O compacto, gravado em 10-11-1976 no Estúdio Level, no Rio de Janeiro, bateu recordes de vendas, com 200 mil cópias vendidas.

Corista de rock fora lançada em junho, como a 1a. música do lado A do álbum Entradas e Bandeiras, porém, Arrombou a festa sairia unicamente em compacto, nunca entrando em nenhum LP oficial de Rita.

                                     Ouça o compacto nos links ao lado: Arrombou a festa  /  Corista de rock

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