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1976.1

 

Gonzaguinha 4o. LP - Começaria tudo outra vez 

Vímana 1o. (e único) LP (gravado e não lançado) + compacto Zebra

Hermes Aquino compactos - Nuvem Passageira / Desencontro de Primavera

 

Em 09 de Março de 1976, 

Gonzaguinha entra nos estúdios da Odeon carioca para iniciar as gravações de Começaria tudo outra vez, seu 4o. LP.

O disco, que tornaria o músico e poeta conhecido em todo o Brasil, trás alguns dos maiores clássicos, dele e da história da música brasileira, como a faixa-título e Espere por mim, morena, além de uma recriação de Asa Branca, de seu pai, Gonzagão.

O álbum, com grande sucesso, seria lançado em 26 de Julho.

                    

                   

                  

                           

                                    Ouça o LP completo no link ao lado: Começaria tudo outra vez

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Em 10 de Março de 1976: 

Vímana é uma lendária banda carioca de prog-rock que estreou em 30 e 31 de dezembro de 1973 no Teatro João Caetano, no show Abertura da Temporada de Verão, mesma data de estréia do Veludo, outra lendária banda do mesmo gênero, que abrigara antes alguns dos membros do Vímana. Os dois grupos estrearam ao lado de outras duas lendas do prog brazuca: O Terço e Os Mutantes (este, tendo nesta época apenas Sergio Dias de sua formação original).

Nessa estreia o Vímana tinha em sua formação ex-membros dos grupos Módulo 1000 (Luíz Paulo Simas, nos teclados, e Candinho (Candido de Souza Faria), na bateria) e Veludo Elétrico (depois, apenas Veludo), do qual vieram Lulu Santos (Luíz Mauricio Pragana dos Santos (guitarrista) e Fernando Gama (baixista).

Essa formação duraria até pouco depois de sua apresentação no  Festival Hollywood  Rock em janeiro de 1975, quando Candinho saiu. No festival, produzido por Nelson Motta,  o grupo tocaria ao lado de Celly Campello, Erasmo Carlos, Raul Seixas, Rita Lee & Tutti-Frutti, Os Mutantes e O Peso. O Vímana não chegou a tocar todo o repertório devido a problemas na aparelhagem. Segundo Nelson Motta, o evento recebeu cerca de 10 mil pessoas a cada dia. 

Foi produzido, e lançado no mesmo ano, um documentário do festival: Ritmo Alucinante

A apresentação do Vímana você assiste clicando AQUI . 

 Conjuntamente com o documentário foi lançado um disco com as apresentações.

                                         Ouça o LP completo no link ao lado: Hollywood Rock

A banda, então reduzida a um trio, passou a buscar um novo baterista e também um vocalista, já que Lulu queria ficar apenas como guitarrista.

Foi quando encontraram o inglês Ritchie (Richard David Court), aquele que em 1983 estouraria no Brasil todo com o hit Menina Veneno. Ritchie viera ao Brasil em 1972, a convite de Rita Lee e Lucinha Turnbull, inicialmente apenas a passeio (dizem que a fim de Rita), acabando por ficar de vez, primeiro em São Paulo, onde participaria do grupo Scaladácida

Tendo problemas com a imigração, Ritchie vai, então, para o Rio de Janeiro, onde passa a tocar flauta com o grupo A Barca do Sol. Segundo ele, ao sugerir também cantar, foi expulso do grupo, que teria achado absurdo um inglês cantando em português, com o sotaque carregado que ainda tinha na época.

Ao sair do grupo, no início  de 1975, Ritchie encontra-se no Leblon com Lulu (que o conhecia do único show que fizera com o Scaladácida no Rio, no ano anterior), que teria lhe dito - "Ainda bem que você saiu daquela merda! Quer tocar com a gente?" Como poderia ser, além de flautista, o cantor do grupo, Ritchie aceitou imediatamente.

Pouco depois, o grupo é chamado por Nelson Motta para acompanhar a peça teatral Feiticeira, estrelada por Marília Pera, que iria estrear em breve.

Mas, para isso precisavam urgentemente de um baterista. Após analizarem muitos, em setembro de 1975 acabam por contratar Lobão (João Luís Woerdenbag Filho)um garoto de 17 anos incompletos na época, que foi apresentado ao grupo por um fã, amigo de Lobão.

Logo após esta contratação o grupo muda-se para São Paulo, onde iria fixar-se durante a temporada da peça de Marília Pera por lá, de novembro de 1975 a janeiro de 1976.

De volta ao Rio o grupo passa a morar junto em uma casa no bairro de Santa Teresa, onde também ensaiaria diariamente.

Logo, através de Carlos Alberto Sion, que passou a empresariá-los,  conseguiram um contrato para tocar durante um final de semana no Teatro da Galeria. Seria a estréia oficial no Vímana, tanto para Lobão como para Ritchie, pois até então só haviam tocado durante a peça A Feiticeira.

A partir daí os shows foram se sucedendo em grande quantidade e em múltiplos lugares como o Museu de Arte Moderna (MAM), Teatro Teresa Rachel e pelos subúrbios do Rio.

No final de fevereiro de 1976, com o grupo tornando-se cada vez mais conhecido, foram convidados a testar o som do novíssimo Estúdio Level, de 24 canais, que em breve se tornaria a sede da gravadora Som Livre, da Rede Globo.

Aproveitando as gravações, Lobão compôs (em parceria com Lulu Santos e Luiz Paulo Simas) Zebra, com uma levada a la Jorge Ben, sua primeira músicaTendo na mesa de som o lendário produtor Peninha Schmidt, o grupo grava uma fita com um repertório suficiente para um LP.

Da fita, Zebra passa a tocar bastante, tornando-se um hit regional nas rádios cariocas Mundial (programa do lendário Big Boy) e Eldo Pop.

Com o sucesso nas rádios o Vímana acaba por ser contratado pela gravadora Som Livre, da Rede Globo, através do produtor Guto Graça Melo, que promete o lançamento de um LP com a fita gravada no Estúdio Level.

Porém, o tempo foi passando, os shows se sucedendo, cada vez mais lotados, e o lançamento acabaria acontecendo apenas em fevereiro/março de 1977, e só como um compacto, com Zebra e Masquerade.


                              Ouça o compacto no link ao lado: Zebra/Masquerade

Como o compacto não chegou a emplacar nas paradas, o LP, que teria umas 9 faixas, acabou tendo seu lançamento suspenso pela Som Livre, permanecendo inédito.

Em junho de 1976 ocorreu um fato que iria decidir o futuro (e o fim) do Vímana: Patrick Moraz, o tecladista suíço que em 1974 substituíra Rick Wakeman no Yes, assiste a um show do grupo (no Colégio Bennett).

Moraz frequentava o Brasil desde 1975, já havendo inclusive gravado dois discos solo com a participação de percussionistas brasileiros. Na época ele estava casado com a manequim, designer e socialite carioca Liane Monteiro, a qual estava grávida de Ranna Alegra, sua filha.

No início de 1977, tendo sido desligado do Yes para o retorno de Rick Wakeman, Moraz muda-se definitivamente para o Rio de Janeiro, passando a morar com Liane numa luxuosa mansão de três andares no bairro do Joá. 

Em maio de 1977 Moraz convida o Vímana para ser a banda que o acompanharia em sua carreira solo internacional. Entusiasmados com a perspectiva de tocar com um ex-músico do Yes, sua grande influência, passando a morar na Suíça e ainda com excursões pelo mundo todo, os integrantes do Vímana prontamente aceitaram o convite.

A primeira exigência de Moraz foi que rescindissem o contrato conseguido com a Som Livre, que iria lançar o tão sonhado LP do grupo, com as músicas gravadas em fevereiro de 76. O motivo para isso era que o grupo faria parte da mesma gravadora internacional (Famous Carisma Label) a que pertencia Moraz.

Com muito pesar, mas sonhando com altos vôos, o Vímana aceita a imposição, pede a rescisão do contrato e embarca no mega-projeto. Assim, o lançamento de seu LP foi abortado definitivamente, com a Som Livre ainda debochando que "rock brasileiro não vendia mesmo", por isso nem se importavam.

Dizem que a fita-máster do LP hoje em dia econtra-se com Lulu Santos. Se for verdade, dificilmente o disco será lançado algum dia, pois Lulu simplesmente abomina e renega o Vímana há muitos anos. E a principal razão para isso é que, após vários meses de extenuantes e difícílimos ensaios, cada vez mais confrontando-se com a forte personalidade de Moraz, este acaba por expulsar Lulu Santos do grupo por volta de fins de novembro de 1977

Nessas alturas, o grupo passaria a chamar-se simplesmente, Patrick Moraz Band

Em fevereiro de 1978, extenuados após nove meses de ensaios, sem nunca tocar e sem receber quase nada de pagamento, e vendo que o sonho da carreira internacional não passaria mesmo de simples promessa, o restante do grupo vai cada um para o seu lado. Era o fim do Vímana

Hoje é possível encontrar na internet uma coletânea chamada On the Rocks (música de Ritchie), que contém uma apresentação do grupo no Museu de Arte Moderna carioca em 1977 (com as músicas Perguntas, Masquerade, On the Rocks Cada vez), além de Zebra e Masquerade (do compacto), Maya (que gravaram no disco de Luiza Maria), Lindo blue (do disco de Walter Franco), Avô do Jabor (do disco Feiticeira, de Marília Pera), Riacho do navio e Antonio Conselheiro (gravadas com Fagner). 

Mas, este não é o LP engavetado, gravado no Estúdio Level em 1976 e nunca lançado.


                         Ouça o LP completo no link ao lado: On the rocks

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Em 20 de Março de 1976, 

Hermes Aquino é um cantor e compositor gaúcho que iniciou a carreira por volta de 1966, e em 1969 tornou-se um dos raros representantes gaúchos do Tropicalismo, através de uma composição sua em parceria com o baiano Tom Zé.

Depois de tornar-se conhecido em todo o Rio Grande do Sul através de suas constantes aparições nos programas da Radio Continental de Porto Alegre, Hermes acaba sendo contratado pela pequena gravadora Tapecar, onde entra nesse dia para gravar um compacto com Matchu-Picchu do lado A e Nuvem Passageira do lado B.

O disco chegou às lojas de Porto Alegre no começo de abril. Em duas semanas, vendeu cinco mil cópias. Ao cabo da terceira, era o disco mais vendido nas lojas da cidade.

Pouco tempo depois, Lauro César Muniz, diretor de novelas da Rede Globo ouve Nuvem Passageira (um fado moderno) e decide incluí-la como tema do personagem Jacinto, interpretado pelo português Tony Correia na novela O Casarão, que estrearia em 17 de junho de 1976. 

A partir daí Hermes, quase que da noite para o dia, se transformaria em um verdadeiro ídolo nacional, com apresentações nos principais programas de TV, e com Nuvem Passageira alcançando os primeiros lugares das rádios em todo o país, sendo uma das mais executadas do ano de 1976.

 Por conta do enorme sucesso em breve a Tapecar relançaria o compacto, agora com Nuvem Passageira do lado A e providenciaria, no início de 1977, a gravação do 1o. LP de Hermes.

Logo no início das gravações, a Rede Globo descobriu uma das faixas do LP, Desencontro de Primavera (este sim, um fado explícito) e lançou-o em sua próxima novela, Locomotivas, que estreou em 01 de Março de 1977.

Desencontro igualmente estouraria nas rádios e TVs de todo o Brasil, sendo também uma das músicas mais executadas em 1977. Do lado B do compacto que logo foi lançado, veio a inexpressiva Se Habilite, resto das gravações do primeiro compacto.

Depois de um ano e meio de sucesso, a multinacional gravadora Capitol, recém chegada ao Brasil, compraria da Tapecar o passe de Hermes, com quem acabaria se desentendo pouco depois do lançamento (em 1978) de seu 2o. (e último) LP, o que praticamente destruiria a carreira do músico quase com a mesma rapidez com que chegara ao sucesso. 

A partir de então Hermes retornaria à sua Porto Alegre natal, onde até hpje trabalha na produção de jingles comerciais.


         Ouça nos links ao lado: Nuvem passageira / Matchu-Picchu
                     Desencontro de primavera
                              Se habilite

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