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1974.7

Zé Ramalho e Lula Côrtes - LP Paêbirú

Chrystian - Tears

Azimuth - Linha do horizonte

O Terço 3o. LP - Criaturas da Noite

Fagner 2o. LP - Ave noturna

Sá e Guarabyra 2o. LP - Cadernos de Viagem

 

Em 03 de Outubro de 1974, 

Zé Ramalho, cantor e compositor, da pacata cidade paraibana de Brejo do Cruz, que tornar-se-ia um dos maiores nomes da história da MPB em todos os tempos, inicia, conjuntamente com seu amigo Lula Côrtes e com colaborações de Alceu Valença e Geraldo Azevedo, as gravações de seu 1º. LP, Paêbirú-Caminho da Montanha do Sol, um álbum duplo, na pequena gravadora Rozemblit, de Recife.

O disco tem uma prensagem única de apenas 1.300 cópias,  das quais 1.000 se perderam em uma enchente que ocorreu em Recife em 1975. Junto com os exemplares perdidos também foi destruída a fita máster. 

Atualmente, por este motivo, é o vinil de maior valor comercial ano Brasil, com cada uma das 300 cópias que se salvaram tendo valor médio de R$ 4.000, desbancando Louco por você, o raríssimo 1º. LP de  Roberto Carlos, que vale a metade.

O disco contém uma grande miscelânea de gêneros musicais como o rock psicodélico, jazz e ritmos regionais nordestinos. 

                                     
                Ouça o LP completo no link abaixo                                   Paêbirú Caminho da Montanha do Sol        

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Em 10 de Novembro de 1974, 

Chrystian vinha de seu 1o. grande sucesso, lançado no ano anterior, 1973, o compacto com Don't say goodbye, um dos discos mais vendidos no Brasil naquele ano, com mais de um milhão de cópias, 51o. lugar nas paradas de sucesso brasileiras, "alavancada" ao ser incluída na trilha sonora da novela Cavalo de Aço, da TV Globo.

Chrystian teria 14 músicas suas, cantadas em inglês, incluídas em trilhas sonoras de novelas na década de 70.

Nesse dia Chrystian entra nos Estúdios Reunidos, de São Paulo (nas instalações da Faculdade Casper Líbero, sede da TV Gazeta, na Avenida Paulista), para gravar o compacto que trás Tears, seu 2o. mega sucesso, um dos maiores clássicos da música brasileira cantada em inglês nos anos 70. 

A música, composta por Dave Maclean, outro brasileiro que compunha e gravava em inglês,  chegaria ao 6o.lugar das paradas brasileiras segundo a seção Brasil da Billboard americana, uma das mais importantes revistas musicais do mundo.

Chrystian e seu irmão Ralph (Ralph Richardson da Silva), ambos goianos, a partir de 1982 dariam uma guinada em sua carreira, formando a dupla  Chrystian & Ralf  , uma das precursoras do "sertanejo moderno". 

Nessa época, no início dos anos 70, Ralf adotava o pseudônimo de Don Eliott.

Durante toda a década de 70 os dois irmãos goianos seriam importantes expoentes do Hits Brasil,  segmento em que, a partir de 1971, muitos cantores e grupos brasileiros passaram a gravar em inglês, com pseudônimos, a pedido de suas gravadoras, para lançamento principalmente nas trilhas sonoras das novelas. 

Na época as músicas internacionais faziam muito mais sucesso que as brasileiras nas rádios e Tvs do país, e as gravadoras tinham dificuldades em comprá-las.

fantasia em torno desses artistas era tão bem montada que, para evitar que fossem reconhecidos (até porque quase nenhum deles falava inglês),  os discos vinham com fotos falsas ou desfocadas), e eles pouco faziam shows ou se apresentavam em televisão.

Chrystian chegava ao ponto de apresentar-se em programas de TV com uma longa capa prateada, dizendo-se britânico, e levando com ele um intérprete para traduzir as frases que inventava como fossem em inglês..

                               
                        Ouça no link abaixo                                                    Tears

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Em 15 de Novembro de 1974, 

Azimuth, trio carioca, inicia as gravações de seu grande (e único) sucesso: Linha do horizonte.

A música, ainda hoje muito tocada em rádios de todo o Brasil,  tornar-se-ia um dos maiores clássicos dos anos 70 após ser incluída na trilha sonora da novela Cuca Legal, da Rede Globo, que estrearia em 27 de janeiro de 1975.

                                           
                   Ouça no link abaixo                                             Linha do Horizonte
                                                                        Ouça o LP completo no link abaixo                            Cuca Legal

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Em 15 de Novembro de 1974,

O Terço, com a saída de Cézar de Mercês,  que  tocara com o grupo desde 1972, passa a ter sua  formação mais clássica : Sérgio Hinds (guitarra), Sérgio Magrão (baixo), Luiz Moreno (bateria) e Flávio Venturini (teclados). 

É com esta formação que o grupo inicia neste dia, no Estúdio Vice Versa (16 canais) de São Paulo, as gravações (independentes, bancadas pelo próprio grupo) de seu 3º. LP, Criaturas da noite.

Cézar de Mercês mesmo afastado do grupo participaria das gravações, como compositor de várias das músicas, incluindo Hei Amigo, um dos maiores clássicos do grupo e da história do rock brasileiro.

As gravações prosseguiriam até maio e o disco seria lançado pela gravadora Copacabana (selo Unferground) apenas em setembro de 1975.

Criaturas da noite é até hoje uma das maiores referências entre os discos de rock progressivo nacional e até mesmo internacional

Muitos o consideram o melhor disco deste gênero no país.        

                                     
                                            
               Ouça o LP completo no link abaixo                                   Criaturas da noite

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Em 18 de Novembro de 1974, 

Fagner inicia nos Estúdios Hawaí, no Rio de Janeiro, as gravações de Ave Noturna, seu 2o. LP.

O disco, lançado pela gravadora Continental apenas em julho de 1975, trás regravações e co-autorias com Belchior, Fausto Nilo, Capinan, entre outros, e conta com a participação do grupo Vímana (Lulu Santos, Lobão, Ritchie, Luis Paulo Simas e Fernando Gama), uma das lendas do rock progressivo brasileiro nos anos 70.

Embora ainda não fosse o disco que lançaria Fagner para o sucesso nacional, pelo menos já tem uma música bem executada nas rádios, Beco dos Baleiros, depois de sua introdução na trilha sonora da novela Ovelha Negra, da Rede Tupi de Televisão.

 


                                Ouça o LP completo no link ao lado:    Ave noturna

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Em 19 de Novembro de 1974, 

Sá e Guarabyra, acompanhados pela cantora Marisa Fossa, entram nos Estúdios Vice Versa, de São Paulo (no qual dividem a sociedade com o maestro tropicalista Rogério Duprat), para a gravação de seu 2o. LPCadernos de Viagem.

A cantora Marisa Fossa antes cantava com o grupo paulista O Bandoque iniciara em 1965, e teve, entre outros músicos, Diógenes Burani (que em 1974 formaria o grupo Moto Perpétuo, com Guilherme Arantes) e Paul de Castro, lendário guitarrista que passaria pelo carioca Veludo e pelos Mutantes pós-Rita Lee e Arnaldo Baptista.

A ideia da incorporação de Marisa Fossa era voltar a ser um trio de vozes, como o que Sá e Guarabyra formavam com Zé Rodrix até dois anos antes, formato de que sentiam falta.

Marisa Fossa, no entanto, participaria apenas desse disco da dupla, seguindo depois uma carreira de altos e baixos (cantaria depois, entre outros, com Erasmo Carlos, Elis Regina, Maria Bethania e Moraes Moreira), infelizmente (pois era uma grande artista) nunca alcançando o sucesso e o reconhecimento do público, tanto que a Musicastória, por mais que procurasse, não encontrou na internet nem uma única referência a ela, a não ser suas participações nos discos desses artistas e a nótícia de sua morte registrada no link abaixo.

Marisa Fossa viria a morrer muito jovem, em 04 de dezembro de 2010, atropelada em Maricá-RJ,  por um motorista bêbado.

O disco contaria também com as participações do trio Robertinho Silva (bateria), Luiz Alves (baixo) e Tenório Jr. (teclados), juntando a esse trio, basicamente jazz-bossanovístico, um guitarrista de rock (Sergio Hinds, de O Terço) e um jovem e talentoso saxofonista com a cabeça ligada no fusion, Ricardo Mattos. 

O resultado poderia ser chamado de jazz rural… O disco, lançado no final de fevereiro de 1975,  vendeu abaixo da média da dupla, mas foi um sucesso de crítica. 

Suas músicas – embaladas pela inusitada combinação de formações musicais tão diversas – contavam a história de uma viagem pelo sertão do São Francisco.

           Ouça o LP completo no link ao lado: Cadernos de Viagem                     

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