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1974.5

Secos & Molhados 2o. LP (último da formação original)

Hits Brasil Mark Davis (Fábio Jr.) - Don't let me cry (compacto)

Tim Maia 5o. LP - Racional

Hits Brasil Dave Maclean - We said goodbye

Os Mutantes 8o. LP - Tudo foi feito pelo sol

 

Em 01 de Junho de 1974, 

Secos & Molhados inicia as gravações de seu  2º.LPO disco seria o último com a formação original, pois o grupo se desfaria 2 meses depois, em agosto, uma semana antes do lançamento do LP. 

Contrariamente ao 1º.,  em que quase todas as músicas tiveram sucesso, neste apenas uma, Flores astrais, teria.

Assim como o 1o LP, este também trás na capa apenas o nome do grupo.

                                     
           Ouça o LP completo no link abaixo                                Secos & Molhados

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Em 05 de Junho de 1974, 

Mark Davis, (Fabio Jr.) – Fabio Corrêa Ayrosa Galvão), cantor paulistano (do Brooklyn), nascido na manhã de 21/11/1953, de pai taxista e mãe professora de piano, que se tornaria um dos mais importantes integrantes do  Hits Brasil segmento em que a partir de 1971, muitos cantores e grupos brasileiros passariam a gravar em inglês, com pseudônimos, a pedido de suas gravadoras, para lançamento principalmente nas trilhas sonoras das novelas. 

Na época as músicas internacionais faziam muito mais sucesso que as brasileiras nas rádios e Tvs do país, e as gravadoras tinham dificuldades em comprá-las.

fantasia em torno desses artistas era tão bem montada que, para evitar que fossem reconhecidos (até porque quase nenhum deles falava inglês),  os discos vinham com fotos falsas ou desfocadas, (veja exemplo), e eles pouco faziam shows ou se apresentavam em televisão.

Mark-Fabio, que na época fazia backing-vocal no grupo Uncle Jack, que acompanhava  Pete Dunaway, (Otávio Augusto Fernandes Cardoso), músico paulista, cantor, compositor e produtor da gravadora Som Livre, inicia as gravações de um  compacto com Don't  let me cryseu 1º. grande sucesso, uma balada tocada até hoje nas rádios em todo o país e que na época tem uma vendagem superior a 200.000 cópias e diversas regravações.

A música, a 1a. composta em inglês por ele (embora no disco seja atribuida a Pete Dunaway) , feita em homenagem à Martinha, sua grande paixão na época, (que morrera  pouco antes no incêndio do edifício Joelma); seria lançada e estouraria em todas as rádios e TVs brasileiras (43. lugar) ao ser incluída na trilha sonora da novela A Barba Azul, (01-07-1974 à 15-02-1975) da extinta Rede Tupi de Televisão.

                                       
                       Ouça no link abaixo
 Don't let me cry

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Em 20 de Julho de 1974, 

Tim Maia inicia as gravações de seu 5o. LP.

Desde meados do ano anterior, estourado em todas as paradas brasileiras, Tim alimentava o desejo de um álbum duplo, onde depositaria toda a inspiração que estava brotando aos borbotões. 

Sua gravadora, Polydor (selo da Phillips) não confiava em tal projeto, o que fez com que Tim, depois de muitas brigas com o executivo da gravadora, André Midani, acabasse transferindo-se para a RCA Victor, que prometeu-lhe liberdade para desenvolver o álbum com que sonhava.

Neste dia, nos estúdios da nova gravadora, à Rua Barata Ribeiro em Copacabana, Tim e sua banda iniciam em ritmo frenético as gravações do novo álbum. 

Tim compunha compulsivamente, estava cheio de músicas novas, românticas e suingadas, funks e souls misturados com samba, temperados com sabores latinos e caribenhos, dele e dos amigos, quase todas ainda sem letra, repertório até para mais de dois discos, mas continuava compondo, aproveitando a maré de inspiração e o convívio com músicos tão criativos.

Nessa época, através de um livro que começara a ler na casa de seu músico Tibério Gaspar, Tim entra em contato com a seita Universo em Desencanto, que publica o livro de mesmo nome, subtitulado Imunização Racional, que pregava que a humanidade é originária do planeta Racional Superior e que através dos ensinamentos da seita, para lá estava destinada a retornar.

Mergulhando de cabeça nos dogmas da seita, logo Tim anunciou aos músicos que estava fazendo novas letras para as bases já gravadas, não mais sobre sexo, drogas e amores, mas dedicadas a divulgar a verdade libertadora do Racional Superior.  A banda, segundo ele, teria que segui-lo nas normas da seita e, dentro disso, passaria a chamar-se de Seroma Racional.

Os músicos estavam empolgados com a boa forma vocal de Tim e com a qualidade das músicas e dos arranjos e nem ligavam para as letras estapafúrdias que ele ia fazendo. Tocavam todos os dias, tocavam cada vez melhor e com mais prazer. No fim de agosto, o disco finalmente estava pronto.

Mas, pelas letras e a posturas estapafúrdias de Tim, a gravadora recusa-se em lançar o álbum.

Tim, então, propôs o cancelamento do contrato e a compra das dez fitas gravadas, com dinheiro dado pelo líder da seita. Ele mesmo prensaria os discos, distribuiria e venderia, sob inspiração do Racional Superior. 

Nascia a Seroma (Sebastião Rodrigues Maia) Discos para lançar o álbum, que seria vendido nas ruas e nos shows, com o faturamento dividido entre Tim e o Racional, meio a meio.

Quando o disco, com o nome Tim Maia Racional, foi lançado, 05-11-1975, ninguém entendeu nada. Que beleza ainda tocou um pouco no Rio e em São Paulo, mas o resto foi execrado pela crítica, e nas poucas lojas que aceitaram ficar com o disco em consignação, os fãs dançantes e românticos de Tim Maia se assustaram com a capa esotérica e os títulos das músicas. Perda total.

Apesar de tudo, a qualidade musical do álbum é tão grande, que viria a ser indicado pela edição brasileira da revista Rolling Stone como o número 17 entre Os 100 Discos Brasileiros Mais Importantes de Todos os Tempos.

Depois de meses fazendo shows, quase que somente para os membros da seita (na maiora das vezes, de graça) e vendendo discos pelas ruas e praças do Rio, no dia 25-09-1976 Tim desistiu de vez da seita, proclamou a todos que quisessem ouvir que o líder da mesma era um picareta, mandou destruir os milhares de discos que sobraram e voltou à loucura, devassidão e às drogas que sempre haviam sido seu ambiente natural.

O álbum Tim Maia Racional vol. 2 ainda seria lançado em 1976, mas, com o mesmo fracasso do primeiro.

Já nos anos 2000, foram descobertas novas músicas pertencentes à fase racional, no que foi intitulado de verdadeiro Racional Volume Três, lançado em CD em 2011.

                                  
                                          
                             
                       Ouça o LP completo no link abaixo                 Tim Maia Racional vol. 1 (1975)
                              
         Ouça o LP completo no link abaixo                 Tim Maia Racional vol. 2 (1976)
                                
         Ouça o CD completo no link abaixo                    Tim Maia Racional vol. 3 (2011)

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Em 05 de Agosto de 1974,                                                                              

Dave Maclean, (José Carlos Gonzales), cantor paulistano (do Ipiranga), ex-membro do grupo The Buttons, e um dos mais importantes integrantes do Hits Brasil, grupo de vários artistas brasileiros que desde 1971 passam a cantar em inglês a pedido de suas gravadoras, que estavam com dificuldades para comprar músicas internacionais para lançamento principalmente nas trilhas sonoras das novelas.

As músicas internacionais, quase 80% do que se ouvia nas emissoras de radio, eram muito caras , então as gravadoras encomendavam músicas compostas em inglês e contratavam músicos desconhecidos para gravá-las, fazendo que estes adotassem pseudônimos americanos e ingleses.

Dave nesse dia grava um compacto com o maior sucesso de sua carreira, uma das músicas mais tocadas no Brasil em toda a década de 70, balada tocada até hoje nas rádios em todo o país e que na época tem uma vendagem superior a 400.000 cópias: We said goodbye

                                         
                         
                          Ouça no link abaixo
                      
We said goodbye                  

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Em 08 de Setembro de 1974, 

Os Mutantesapenas com Sérgio Dias da formação original, entram em estúdio (Som Livre, Rio de Janeiro), para as gravações de seu Tudo foi feito pelo sol, seu 8º.LP (contando com os dois atribuídos  apenas à Rita Lee - Build up e Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida - que, embora inteiramente gravados pelo grupo todo, seriam lançados como só dela numa jogada comercial da gravadora Phillips, que queria lançá-la em carreira solo).

O disco seria o 1º. após a saída de Arnaldo Baptista (em julho de 1973) e 2º. sem Rita Lee, (que saíra do grupo em, 24-09-1972).

Para o lugar de Arnaldo, Sergio Dias chamou Manito (ex-Incríveis e já na época iniciando o Som Nosso de Cada Dia), mas, por diferenças de ideias musicais, este permaneceria por poucas semanas e shows, prosseguindo sua carreira com o Som Nosso de Cada Dia.

Manito viria a ser substituído por Tulio Mourão, tecladista mineiro radicado no Rio de Janeiro, que na época tocava no Veludo, grupo carioca de rock progressivo pelo qual passaram, curiosamente, outros futuros Mutantes: o baterista Rui Motta, o guitarrista Paul de Castro e os baixistas Antônio Pedro e Fernando Gama.

Em setembro de 1973  quem sairia (por problemas de saúde) do grupo, seria o baterista Dinho Leme, substituído, então, pelo carioca Rui Motta.

A nova formação faria sua estreia em Ribeirão Preto (SP), em 26-10-1973

Em 23-12-1973, seria a vez da estréia da nova banda de Arnaldo BaptistaSpace Patrol (com Marcelo Aranha na guitarra e Zé Brasil - futuro Apokalipsys -  na bateria), formada no mês anterior. 

A curiosidade e o constrangimento dessa estreia ficaram por conta de que ela se deu no Parque do Ibirapuera em São Paulo, em um show chamado Som Encontrante, onde o novo grupo dividiria o palco com Grupo Raízes, Pêndulo Mágico (do produtor e crítico musical Nico Pereira Queiróz) e, nada mais nada menos que Rita Lee & Tutti-Frutti e Os Mutantes de Sergio Dias!!!

Em maio de 1974, após Samuca Wainer, carioca  filho do jornalista Samuel Wainer e da socialite Danuza Leão (irmã de Nara Leão) tornar-se o novo empresário do grupo, Sérgio Dias  e Liminha, últimos integrantes da formação original, transfeririam o grupo para o Rio de Janeiro, passando a morar em um sítio na cidade serrana de Itaipava, próxima à Petrópolis, pertencente à família de seu novo empresário.

Finalmente, quem acabaria saindo (em agosto de 1974), do grupo poucos dias antes de entrarem em estúdio para a gravação do novo disco, seria Liminha, inconformado com a seriedade (para ele) excessiva adotada na linha  musical.

Em seu lugar, às pressas, Sérgio Dias convocaria Antonio Pedro Fortuna, outro ex-integrante do Veludo.

É, pois, com a formação Sergio DiasTulio MourãoRui Motta e Antonio Pedroque o novo disco seria finalmente gravado, tornando-se um dos mais vendidos até então pelos Mutantes.

O lançamento seria em outubro de 1974.


  Ouça o LP completo no link ao lado    Tudo foi feito pelo sol

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